quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Sites de relacionamentos são usados por empresas para avaliar empregados ou candidatos

Jornal do Commercio - Tecnologia - 18.02.2010 - B-8

18/02/2010


Seleção de empregados pela web

Igor Silveira

Em reportagem especial publicada recentemente pela revista norte-americana The Economist, especialistas em recursos humanos ressaltaram a importância das redes sociais na internet durante o processo de seleção de profissionais. O texto classificava os sites de relacionamento como "uma forma inteligente de contratar". Os candidatos a vagas, porém, precisam estar atentos para utilizar essas ferramentas de maneira eficiente, sem deixar que o mau uso da rede mundial de computadores acabe atrapalhando na hora da seleção.

Responsáveis por processos de admissão apontam que as informações disponíveis em perfis expostos em sites como o Orkut e o Facebook são utilizadas como referência na hora de preencher uma vaga. Assim, os cuidados com os dados disponibilizados devem ser redobrados. Carmen Cavalcanti é psicóloga e diretora da Rhaiz Soluções em Recursos Humanos, empresa dedicada a seleções de profissionais para o mercado. Ela explica que as redes sociais são usadas com frequência para buscar referências de candidatos.

Segundo a especialista, as pesquisas são tão criteriosas que até o tipo de site pesquisado é levado em consideração. "Não é só o conteúdo do perfil que importa na hora da seleção, mas a rede social escolhida também é observada. Existem páginas mais sérias, como a LinkedIn (rede na internet mais voltada ao mercado de trabalho), por exemplo", afirma a especialista. "Utilizar esses recursos como fonte de recrutamento é uma prática cada vez mais comum. Portanto, recomendo manter os dados atualizados e evitar textos prolixos e de autovalorização exagerada", completa.

Outro aspecto observado na hora de selecionar um candidato para um emprego é o endereço de e-mail. Aqueles logins cadastrados na adolescência, que fazem menção a características físicas e psicológicas não são recomendados, de acordo com Carmen. "O ideal é que seja criado um outro e-mail para ser usado profissionalmente, com nome e sobrenome. Se a opção não estiver disponível, podem ser feitas variações. O importante é passar credibilidade", defende. Ela alerta também para um erro constante durante o processo de seleção: a empresa se interessa pelo currículo do candidato, busca os contatos nas redes sociais, mas esses estão desativados. "Há casos de pessoas que deixaram de ganhar a vaga porque não atenderam o telefone celular ou não checaram o e-mail", enumera.

Os álbuns do site Orkut são usados como portfólio pelo fotógrafo Bruno Leonardo, 27 anos. Desde que se cadastrou na página de relacionamento, ele posta fotografias que representam seu estilo de trabalho. As ferramentas disponíveis no endereço, segundo Leonardo, ajudam a expor as imagens. "Eu percebo que há retorno depois que coloco as fotos. É muito interessante, porque consegui alguns trabalhos por meio do Orkut. Eu não conhecia os contratantes pessoalmente, mas fui procurado justamente porque gostaram do meu trabalho", revela o fotógrafo.



CONDUTA CORRETA. Quando o profissional está empregado, a preocupação com as redes sociais tem de continuar. Carmen destaca que as atitudes do empregado nos sites de relacionamento muitas vezes são analisadas como conduta de competência. Aderir a comunidades polêmicas não é recomendável, assim como fotografias que possam gerar qualquer tipo de constrangimento não devem ser inseridas na página. O internauta também pode aproveitar essas ferramentas para se integrar a outros grupos profissionais, ampliar as redes de contatos e trocar ideias que ajudem a melhorar o rendimento no trabalho.

O cientista social André Santoro, 23 anos, revela que evita se expor em excesso por causa do ambiente de trabalho. Quando trabalhou em uma embaixada, ele escrevia somente o essencial e tinha o cuidado de não divulgar qualquer informação sobre os assuntos tratados no local. "Eu uso o bom senso. Coloco pouquíssimas fotos, geralmente de viagens que fiz e de alguns momentos em família ou com amigos. Quando você está empregado, é um representante da empresa e, por isso, seu comportamento deve ser exemplar, na rua ou na internet", compara. Santoro fala da preocupação com a ortografia. "Se escrevo algo errado, exponho negativamente o lugar onde trabalho", opina.

Durante o horário de trabalho, o profissional deve usar as redes de relacionamento com moderação e, basicamente, para assuntos relacionados ao emprego. As empresas que permitem o acesso a esses endereços eletrônicos também ficam atentas ao rendimento do empregado, que não deve ser atrapalhado pelo uso indevido desses sites.



ANTIGO PATRÃO. A especialista em processos seletivos para o mercado profissional Sofia Estevez lembra que há algumas orientações sobre o uso das redes sociais quando a pessoa deixa de pertencer ao quadro de empregados de uma empresa. Trocas de mensagens que apresentem no conteúdo informações sobre o antigo trabalho são consideradas indelicadas e podem prejudicar, inclusive, futuras oportunidades no mercado.

"É preciso respeitar a empresa mesmo que a saída não tenha sido amigável. Além disso, as redes sociais podem ser usadas para avisar que o profissional está disponível novamente. Os contratantes procuram clareza e entendem que o perfil mostra um pouco do caráter do candidato, como ele se vê", ensina a especialista. "Todo cuidado é pouco quando o assunto nos sites de relacionamento é profissional. Então, é interessante que o usuário se informe sobre a cultura organizacional de cada empresa e saiba como pensa o empregador em relação ao uso dessa ferramenta", conclui.

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